TAMBABA, O Paraíso NATURISTA

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NATURISMO: órfão, mas cheio de donos

O NATURISMO, essa filosofia de vida que nos fascina tanto, está em franca degeneração no BRASIL, posto a constatação de que os criadores originais dessa filosofia, e até então mantenedores desse modo de vida inusitado em nosso País, foram compulsoriamente afastados do seu meio, cedendo espaço a pessoas que não possuem qualquer assimilação com os princípios da atividade.

Pressões internas dentro das associações que deveriam sustentá-lo, o próprio envelhecimento dos seus principais baluartes e desalento em participar de uma luta inglória, fez com que pessoas sem escrúpulos se apoderassem das funções daquelas que levavam a sério os critérios de sustentação da filosofia mais discriminada do planeta. Esses pioneiros eram pessoas que não possuíam outros interesses que não fosse a harmonia do sistema, sem qualquer ânsia de poder ou glória. Assim foram engolidos por pessoas que têm exatamente uma ideologia de domínio e exaltação pessoal.

Sob o disfarce de modernização e de atendimento a novos critérios de direitos individuais, um grupo de pessoas sem a menor identificação com os princípios básicos da filosofia está ditando os destinos do NATURISMO de forma absurdamente desastrosa. Em nome de uma ficta globalização, querem implantar modelos externos totalmente incompatíveis com as condições culturais do Brasil. Sob a mentira de que os brasileiros precisam evoluir, transitam dentro do naturismo com ideias inconcebíveis de alavancamento da filosofia fora dos padrões nacionais, desconhecendo as grandes diferenças existentes entre a formação cultural brasileira e aquelas provenientes de países Europeus.

Estas pessoas esquecem que nos modelos religiosamente dominantes, como os experimentados na América Latina e nos países do oriente médio, as formas morais são equivocadas e totalmente estranguladoras de avanços racionais, tendo em vista estarem assentados no formato implantado por líderes ligados a igrejas manipuladoras das mentes frágeis e incultas, como exatamente representam a maioria absoluta das populações dessas regiões menos desenvolvidas. Nesse contexto, o trabalho de desarticulação dessa mentalidade ultrapassada precisa ser adaptado, de forma a não produzir enfretamento direto com as posições radicais e retrógradas imanentes nos segmentos de filosofias metafísicas da sociedade, cuja aceitação da sexualidade corresponde a um tabu absurdamente complicado de ser afastado, e com ele os estigmas relacionados com a exposição do corpo. Portanto, trazer modelos de NATURISMO dos países europeus e norte americanos, que estão longe das características de nosso país, constitui um erro de absurdas proporções, que vem definhando as tentativas de desenvolver a filosofia no Brasil.

É público e notório que as instituições que administram o NATURISMO no Brasil estão absolutamente alinhadas com a teimosia de fazer de nossas áreas extensões do formato praticado nas regiões desenvolvidas e de culturas milenares, pouco ligadas à religiosidade, trazendo inúmeras dificuldades de infiltração no seio popular das ideias da filosofia, devido a resistências no progresso de aceitação do modo de vida que se deseja tornar viável para a população.

Procedimentos, como vistas grossas feitas à prática sexual e à permissividade do uso de roupas dentro das áreas naturistas, são fatores que visivelmente têm prejudicado a melhoria da qualidade da aceitação e crescimento da filosofia no Brasil. A adoção dessas práticas tem sido defendida sob a ótica de que o Naturismo tem de ser natural e que a adesão à nudez tem de ser lenta e gradual, deixando que as pessoas se sintam à vontade para tirar ou não às roupas, inclusive alegando que o sexo faz parte dessa naturalidade requerida ao ser humano, portanto não deve ser tratado como uma contravenção.

Acostaríamos a essa argumentação se nosso país tivesse a mesma formação cultural milenar experimentada nos países europeus e se já tivéssemos 40% de nossas áreas públicas com permissão para a prática do naturismo, se possuíssemos mais de 50 milhões de adeptos e se a nudez não fosse um pudor característico da formação de nossa população, diferentemente do que acontece na Europa.

Existe no Brasil apenas 6 áreas públicas com autorização para a prática obrigatória da nudez e mais 2 com opção ao uso de roupas. Registramos, com base em projeção de cálculos aleatórios, extraídos da frequência aos espaços existentes, pouco mais de 500 mil pessoas que tenham visitado pelo menos uma vez uma área naturista e pouco mais de 10 mil que frequentam assiduamente. Diante disso é muita irresponsabilidade querer que em nossas áreas tenhamos as mesmas formas adotadas na Europa, de vez que no nosso meio a nudez é um objeto fortemente ligado à curiosidade e à prática sexual, desconfigurando assim qualquer intenção em flexibilização de regras, sob pena de ver a desordem e a desmoralização das intenções propostas pela filosofia. Seria muito mais profícuo se as entidades, sobretudo a Federação Brasileira de Naturismo - FBRN, deixassem dessa obsessão em promover encontros e congressos naturistas periódicos, que possuem altos custos e pouquíssimo ou quase nenhum resultado prático na divulgação junto ao público não naturista - pois atrai bsicamente a mídia humorística e mal intencionada, além de beneficiar mais o interesse daqueles que correm atrás de novos encontros sexuais, para cuidar de convencer prefeitos dos muncípios litorâneos brasileiros a instituir novas áreas para a prática da filosofia.

Um dos aspectos mais firmes da filosofia é a independência da nudez às praticas de cunho sexual. É totalmente incompatível com o NATURISMO a assimilação da nudez com o sexo, pois se trata de uma ideologia moral cunhada por lideranças religiosas sem qualquer amparo nos próprios Livros Sagrados das religiões que defendem, como bem mostrado no livro PUREZA de autoria do naturista Nelci-Rones Pereira de Sousa.

Assim sendo a liberalidade sexual experimentada nas áreas naturistas é um procedimento aterrador e desmoraliza a venda da ideologia, pois traz escândalos para os frequentadores de primeira viagem, que presenciam essas atitudes, e fornecem armas poderosas aos conservadores que tomam conhecimento desses acontecimentos, ocasionando as dificuldades de avanço da filosofia por novas áreas no Brasil.

O que se tem visto atualmente são entidades de naturistas totalmente passivas com erros praticados rotineiramente nas áreas, tanto públicas quanto privadas, com permissividade de alguns procedimentos totalmente prejudiciais e denegridores da imagem do naturismo, em contradição com as regras iniciais implantados há décadas, e que vem sendo absurdamente negligenciadas, inclusive com relação Leis Municipais que disciplinam frequência às áreas públicas, a exemplo da lei 309/2004, vigente na praia de Tambaba.

As áreas naturistas existentes no país deixaram de ter cuidadores para dar lugar a proprietários ou DONOS que se arvoram a fazer e a determinar o que lhes convêm.

O naturismo, dentro do seu próprio texto filosófico, diz que a nudez em grupo é um dos pilares de sua sustentação. Portanto, por mais que queiram contrapor, sem nudez não existe naturismo, afinal, vestir roupas é uma tônica de todos os ambientes que não sejam naturistas. Contudo, o volume excessivo de pessoas vestidas transitando dentro das áreas de nudez obrigatória é uma coisa espantosa, com total descaracterização da obrigatoriedade estabelecida por regras ou leis. Senão vejamos:

a) Todos os naturistas, que já frequentaram mais de uma vez uma área pública, já se consideram DONOS do naturismo e imunes ao cumprimento de regras, posto que adentram as áreas vestidos e se sentem no direito de tirarem ou de vestirem as roupas no local ou no tempo que desejarem, prejudicando regiamente os recepcionistas das áreas na tentativa de convencimento de pessoas novas (que representam mais de 95% dos frequentadores) a tirarem as suas roupas, de vez que se veem no direito de fazer o mesmo;
b) pessoas dos estabelecimentos comerciais em toda a região das áreas naturistas, que nada contribuem para o bom funcionamento do naturismo, nem financeiramente, nem com participação nos trabalhos de cuidados das áreas, também se colocam como DONOS dos locais e com direitos de impor as suas regras totalmente contrárias ao naturismo, exigindo o acesso à praia de quem eles desejam, da forma que querem e pelo tempo que desejarem, trazendo muita decepção para os citados novos frequentadores;
c) transeuntes que, por desconhecimento absoluto das leis e dos princípios constitucionais, alegam um fatídico “direito de ir e vir” e querem transpor as áreas vestidos, esquecendo que nenhum direito é absoluto e todos eles devem ter como base os direitos das outras pessoas, afinal, a Constituição da República não diz que as pessoas têm o “direito de ir e vir vestidos onde e do jeito que quiserem”, devendo respeitar as regras de cada local que pretende acessar, como acontece nos fóruns judiciais e repartições públicas, onde não se pode ir vestido com bermudas, minissaias, etc.;
d) o grande número de mulheres enroladas em cangas, que cobrem nádegas e genitálias, é uma afronta ao naturismo, pois a canga é uma peça de roupa e, se enrolar nelas, está-se desrespeitando a regra da nudez totalmente contrário ao critério da existência do naturismo, trazendo transtorno ao funcionamento das áreas;
e) ambiente naturista não é local para se fazer marquinhas de biquíni, mas o volume de mulheres que querem adotar essa prática é muito grande, demonstrando muita falta de noção e de respeito, pois existem mais de 1500 praias no país que elas podem fazer isso, então, por que a obsessão de querer fazer isso nos ínfimos metros destinados à prática naturista?;

Assim sendo, a frequência a um ambiente naturista não é obrigatória e, portanto, só deve frequentá-lo quem está com vontade de se livrar das suas roupas, pois são pouquíssimos os espaços destinados a isso. Qualquer pessoa que não se sente à vontade para tirar a roupa, deve procurar a milhares de praias destinadas ao uso delas, ou, se tiverem compelido(a) por companheiro(a) a ir a um ambiente de nudez, respeite as pessoas que estão ali e não as afronte com as ideias preconceituosas a respeito do corpo. Em caso de frio, adote a postura de cobrir apenas a parte dorsal, que, cientificamente, é a parte onde realmente o ser humano sente frio.

A menstruação é uma das desculpas mais frequentes. Algumas associações, em uma total falta de sanidade, não percebem que as regras de funcionamento não devem abranger as exceções, pois elas devem ser tratadas fora da regra. Mesmo assim, como é o caso da Federação Brasileira de Naturismo/FBRN, em uma atitude totalmente sem noção, insere nas suas regras a possibilidade das mulheres usarem biquíni durante o período menstrual. Assim, todas as mulheres se acham no direito de evocar essa exceção como regra e, invariavelmente, alegam estar menstruadas, deixando recepcionistas das áreas em situação constrangedora e sem ação diante da esmagadora maioria que usurpam a nudez, amparada nessa absurda exceção oficializada com regra. Felizmente algumas áreas, como em Tambaba/PB, adotam a medida de não admitir essas situações, proibindo o uso do biquíni mesmo em períodos menstruais, a custa de muita rebeldia e constrangimentos. Portanto, não se deve ficar inventando desculpas esfarrapadas para se manterem vestidas na presença de pessoas nuas, pois, assim, não estará praticando a parte filosófica da “nudez em grupo” adotada pela filosofia.

Outro grande problema das áreas naturistas refere-se à presença de homens desacompanhados de mulheres nas áreas naturistas. A maioria das associações que defendem o naturismo hoje, não se preocupa mais com os aspectos do naturismo, mas exclusivamente com os direitos dos homens, embora não exista na legislação brasileira nenhum dispositivo que verse sobre esses direitos exclusivos masculinos. Ao contrário, elas negligenciam as diversas normas que defendem os direitos das mulheres, que, em face da tradicionalíssima formação paternalista e machista da população, tem sua situação extremamente prejudicada, sobretudo quando se trata de assuntos de ordem sexual, como é tratada a nudez no país.

A nudez feminina sempre foi tratada pela esmagadora maioria da população como um impulsionador sexual e, desde a tenra idade, elas são condicionadas e preservar a exposição de seu corpo como critério de valorização pessoal. Assim sendo, dentro do naturismo não se há de evocar direitos masculinos, com base em pretensa igualdade constitucional, pois o que se pratica de fato é um verdadeiro massacre masculino aos direitos femininos, como bem mostrados no ordenamento jurídico brasileiro, que busca proteger a enorme desvantagem das mulheres nesse aspecto. Quando se trata de nudez, essa inferioridade é avassaladora, justificando assim as inúmeras regras instituídas há décadas pelas primeiras associações que trouxeram o naturismo para o Brasil. Essas regras sempre tiveram como respaldo e equilíbrio de gênero dentro dos ambientes naturistas. Essas regras são hoje espezinhadas pelas associações que as descumprem sem a menor culpa ou consciência de estar prejudicando um dos ramos importantes da população, tudo na fictícia, mentirosa, falsa e despudorada busca de direitos dos homens. Não existe um único segmento nacional onde os direitos femininos não são desrespeitados e isto é infinitamente mais acentuado dentro de locais onde se pratica a nudez, dada a obsessão masculina no desvendamento da nudez feminina, de forma avassaladora e sem controles.

Não se trata apenas de fundamentação teórica, pois isto é observado no dia a dia das áreas naturistas onde a regra não é observada, sob a alegação de que o equilíbrio de gênero não é necessário para a prática naturista. A maioria das áreas onde não existe a regra, o volume de homens em relação ao de mulheres é avassalador, mostrando que o naturismo se transformou nessas áreas em filosofia de gênero único, com a queixa geral de todas as mulheres, casais heterossexuais e naturistas do sexo masculino que passaram por esses locais. A regra antiga não previa a exclusão de homens naturistas, mas tão somente se cercar da avalanche de homens não naturistas que adentravam essas áreas com exclusivo interesse no vislumbramento de corpos femininos e na possibilidade de práticas sexuais.

Trata-se de uma constatação que não pode ser mascarada por opiniões daqueles que têm visões de mundo diferentes da dualidade sexual. Quem possui ideário de desnecessidade do equilíbrio de gênero em qualquer ambiente, normalmente está defendendo o seu interesse de gênero e não respeitando a dualidade. Ambientes com presença exclusivamente feminina ou masculina, cientificamente, são recintos desequilibrados. A experiência adquirida ao longo dos anos dentro do naturismo - portanto, distante das opiniões embasadas apenas na teoria - mostra que nos ambientes de nudez, sem restrição ao ingresso de mulheres desacompanhadas de homens, não ocasiona esse desequilíbrio, pelo simples fato de que entre as mulheres, em face da sua criação paternalista, não existe a obsessão por visualização de corpos masculinos.

Portanto as associações brasileiras que fazem vistas grossas a essas regras estão simplesmente trabalhando contra o direito das mulheres, muito mais importante no corolário de leis do país, e desrespeitando situações naturais de constituição do naturismo, que não foi concebido para funcionar com gênero único. Numa retórica filosófica, levando em conta o sistema social patriarcal até hoje em vigor, os homens são opressores e não precisam de defensores, mas as mulheres são sexualmente oprimidas e carentes de defesa, então não há o que se falar em defesa de direitos iguais para homens, quando todas as políticas governamentais são unânimes em fazer o contrário, determinar a busca de direitos iguais para as mulheres. O naturismo não pode ser a exceção dessa luta, alimentando associações que vêm agindo de forma inversa dessa tendência. Portanto, as associações que fazem defesa dessa escabrosidade não merecem permanecer vinculada ao naturismo, sobretudo aquelas que, a despeito de defender esse posicionamento, distribuem passaportes naturistas a torto e a direito, credenciando homens de péssima reputação e sem nenhuma vinculação com o naturismo a ingressar nas áreas para as práticas mais grotescas de atitudes sexuais, como masturbação e assédios a casais.

Duas dessas associações que adotam essa tática são bem conhecidas e são filiadas à FBRN, gozando os seus dirigentes de excelente trânsito junto à direção da principal entidade de direção do naturismo no Brasil. A associação denominada Oca do Piá Aborígenes, criada por um membro de Conselho Maior da FBRN, José Wagner de Oliveira, vende passaporte naturista para todos os masturbadores de Tambaba/PB, os quais ingressam na praia pela portaria, para práticas sexuais em público, que denigrem consideravelmente a imagem do Naturismo, do Turismo da Paraíba e de Tambaba. Embora sabendo dessa situação de irregularidade, a FBRN não toma nenhuma atitude para frear esse absurdo, exclusivamente porque o Sr. José Wagner possui vínculo de amizade com a direção da entidade e os convence de que a Lei 309/2004 é inconstitucional, por prejudicar direitos dos homens, embora eles já sejam cheios de direitos sociais implantados ao longo de milênios.

Também a entidade denominada Brasil Naturista que fornece passaportes naturistas pelo único critério de assinar a sua página na internet, que inclusive são emitidos no seu próprio portal, bastando fazer um cadastramento e digitar uma senha para emitir o passaporte, sem qualquer triagem sobre antecedentes naturistas dos cadastrados, como bem mostrado na figura 01. Além disso, o modelo de carteira adotado, impresso através do próprio site, é totalmente diferente daquele adotado pela INF (figura 02)

Figura 01 – Modelo de passaporte naturista da INF

Figura 02 – Anúncio de passaporte naturista


Se se levar em conta que o critério para fornecer passaportes naturistas é unicamente a comprovação de prática contínua do naturismo dentro de sua áreas filiadas, a FBRN, que tem como função básica defender o naturismo no Brasil, está negligenciando, assustadoramente, ao deixar ingressar nas suas hostes entidades que passam longe do cumprimento dos seus objetivos máximos. Com isso infestam o naturismo de pessoas que denigrem a sua imagem.

Há de se ponderar a situação dos homossexuais de sexo masculino. Primeiro precisa se salientar que, pelas regras antigas do naturismo e pela lei 309/2004, apenas o gênero objetivo masculino possui restrição de entrada na praia, sem referência a exceções por condições subjetivas de gênero. A lei não faz referência a casais, mas a homens desacompanhados de companhia feminina, circunstância que, etimologicamente, enquadram os homossexuais do sexo masculino. Entretanto não haveria maiores problemas em se admitir a exceção, se não fossem as enormes dificuldades que se apresentam na identificação de quem realmente tem a condição homoafetiva. Não dá para simplesmente aceitar uma declaração verbal, pois é estratosférico o número de homens heterossexuais que se aproveitam dessa liberalidade para se fingirem homossexuais com intenção de ingressar nas áreas naturistas, visivelmente com pretensões escusas. Ainda assim, não se vê maiores dificuldades em aceitar o ingresso deles, em caráter excepcional, se conseguirem apresentar convicção de sua condição homossexual, através de documentos ou fotos em redes sociais, normalmente existentes em seus celulares, que comprovem o relacionamento afetivo existente entre os postulantes. Fora dessas condições é impossível fazer exceções, sob pena de se ver todo o sistema de segurança da prática naturista ser surrupiado por pessoas de má índole.

Entretanto, é conveniente registrar que os maiores inimigos do naturismo advêm de dentro do meio naturista, grande parte deles travestidos de dirigentes, mas que têm pensamentos absolutamente não naturistas. São exatamente os que querem dominar as áreas com exclusivos interesses sexuais, somados àqueles que tentam implantar regras totalmente identificadas com o mundo não naturista. Os primeiros pensam que todos que vão para essas áreas possuem as mesmas intenções promíscuas que as suas e ficam abordando as pessoas com a certeza de correspondência. Eles representam uma parcela mínima dos naturistas, mas fazem estragos estrondosos dentro do naturismo, porque danificam a entrada de pessoas novas, na medida em que estas saem decepcionadas, fazendo propagandas negativas, em face do assédio recebido. Os segundos, por pensarem como não naturistas, lideram procedimentos que distorcem a filosofia, inclusive criando restrições à nudez em diversas situações ou ocasiões nos moldes dos não naturistas, trazendo o descrédito da imagem vendida.

Ora, só para citar exemplo, o principal chamariz para a prática do naturismo é o seu aspecto absolutamente familiar. É do conhecimento dos estudiosos da filosofia que os aspectos da nudez são totalmente desvirtuados dentro das famílias, as quais ensinam aos filhos desde muito cedo sobre a obrigatoriedade do uso das roupas, trazendo transtornos que carregarão para o resto da vida, influenciando nas dificuldades de inserção da filosofia no meio popular. Mas, imbecis travestidos de dirigentes, implantam nas portarias das praias a prática de deixar que crianças adentrem as praias com a opção de tirarem as roupas ou não, deixando a critério delas próprias essa decisão. Por se tratar de uma situação inusitada, diferente daquela que seus pais lhes ensinaram, normalmente elas recusam a tirar, inclusive com medo dos próprios pais lhes recriminarem, de vez que foram eles que as obrigaram a andar vestidas. Os pais, sem análise dos transtornos que esse procedimento pode causar na aceitação dos próprios corpos das crianças, e, em face do hábito de obrigar as crianças a se vestir, se veem sem autoridade convencê-las a se despirem, com medo da contradição de seus ensinamentos. Os dirigentes naturistas ao permitir tal procedimento endossam o pensamento não naturista de que não é apropriado às crianças andarem nuas na presença de outras pessoas ou não é adequado obrigarem elas a fazerem isso, esquecendo que elas andam vestidas porque foram obrigadas a isso pelo próprio pensamento não naturista. Ou seja, corroboram com o uso da autoridade de obriga-las a se vestirem, mas denegam a existência dessa mesma autoridade para fazê-las se despirem, deixando que as crianças avaliem se tratar de um local inapropriado para a integração delas.

Ora, se os pais não querem desfazer os erros que cometeram quando impuseram o uso das roupas nos seus filhos, se acham que o ambiente é apenas para adultos, por estarem lidando com a nudez, ou ainda se não confiam na inocência e pureza do local, então que não tragam seus filhos para dentro do naturismo. Mas, por favor, se acharem que crianças de qualquer idade não podem ser obrigadas a tirar a roupa, então devem considerar também que elas não devem entrar na praia. Esse deve ser o critério das portarias das praias, vetando qualquer pensamento diferente desse, pois não condiz com os aspectos saudáveis de um naturismo familiar proposto por sua propaganda.

Outro pensamento não naturista, muito comum em alguns que se passam por naturista, mas que de fato apenas frequentadores de áreas nudistas, diz respeito aos aspectos da adaptação paulatina aos aspectos da nudez. Ora, isso é uma das maiores utopias imaginadas pelas pessoas, e defendidas apenas por teóricos de senso comum, que não corresponde à realidade de pesquisas e práticas já experimentadas dentro das áreas. Esses teóricos defendem que as pessoas podem inicialmente ficar vestidas até acostumarem com a nudez para depois tirarem a roupa. Ora, todas as experiências já desenvolvidas mostraram exatamente o contrário. Um dos problemas de se tirar a roupa é o grande medo de ser o centro das atenções, tal como acontece no mundo dos vestidos, onde as pessoas nuas são objeto de curiosidade, pilhérias, gozações, comentários jocosos, tidas como depravadas, imorais e sem vergonha. Esse conceito imanente do ser humano vestido é trazido inconscientemente para dentro da área naturista quando se ingressa pela primeira vez. Não se passa pela cabeça que, ao tirar a roupa, vai ser apenas mais uma pessoa nua no meio de tantas e que não vão lhe demonstrar nenhuma atenção especial, exceto se se mantiver vestida. Ela só perceberá essa diferença se realmente tirar a roupa e verificar que não está sendo centro das atenções. Mas, se permanecer vestida ela será alvo de muitos olhares, simplesmente por estar diferente das demais pessoas do ambiente, e aquele conceito não naturista vai martelar a sua cabeça: “se estão me olhando vestida, imagina nua?”.

São raríssimas as exceções a esse modelo. Não são poucas as histórias de pessoas que foram aceitas de roupas dentro do naturismo e levaram anos para tirar a roupa pela primeira vez. A lógica mostra que todo procedimento para mostrar o corpo no mundo não naturista chama a atenção, podendo trazer constrangimento para quem tira a roupa, assim como, dentro do naturismo, qualquer atitude de cobrir a nudez também é chamativa, provocando olhares e produzindo também o constrangimento de tirar roupa. Não se trata de vaticínio, mas de experiência comprovada dentro de áreas pública, em mais de 30 anos de atuação.

Vale ainda acrescentar outra ideia costumeira e mentirosa é de que pessoas vestidas não trazem constrangimento às pessoas nuas e de que é possível uma convivência pacífica entre naturistas e não naturistas. Ora, a experiência também mostra que, na mesma proporção que pessoas nuas incomodam as pessoas vestidas, estas trazem grandes constrangimentos muito mais acentuados às pessoas nuas. Todas as pessoas que vêm da Europa, e são culturalmente acostumadas com esse tipo de convivência, retratam, contudo, que, no fundo de sua consciência, têm grande desconforto com isso. Agora, imaginem em um país onde a nudez é tratada com absoluto preconceito desde que as pessoas nascem, é profundamente incômodo ficar nuas na presença de pessoas vestidas. Também são raríssimas as exceções nesse campo e que assim devem ser tratadas exclusivamente nos casos em que não exista outra solução. Se levarmos em conta que as praias de Trancoso, Arembepe e Morro de São Paulo na Bahia, Canoa Quebrada no Ceará, já foram paraísos de naturistas e hoje não se acham vestígios deles nessas áreas, exatamente pela invasão de pessoas vestidas, percebe-se a certeza do argumento ora lançado. Sem contar que a experiência opcional de naturismo de Galheta, em Santa Catarina, redunda em um desastre para a filosofia. A liberdade de escolha acaba sendo exclusiva daqueles que não querem tirar a roupa, espantando do local os naturistas, pois acabam virando alvos de chacotas, risadas, fotos e filmagens indiscretas. Poucos são os que possuem coragem de enfrentar essa avalanche de vestidos presentes nesses locais pelo interesse em ver pessoas nuas.

O principal argumento, entretanto, paira na existência de mais de 1500 praias no Brasil para as pessoas usarem roupas e não é justo que elas queiram, com a concordância daqueles que se dizem naturistas, ficar vestidas nos ínfimos e raríssimos espaços destinados às pessoas que não gostam de roupas. Essa história de que se deve deixar as pessoas à vontade e uma grande balela, pois ficar vestido é exatamente a atitude típica e inexplicável de quem não quer ficar à vontade.

É bom que se ressalte a ausência absoluta dos poderes governamentais em dar apoio ao naturismo nas áreas públicas. A autorização para funcionamento de um espaço para a prática naturista deve ser cercada de cuidados que abrange a necessidade de uso de coerção para refrear as atitudes inconvenientes que fatalmente vão ser constantes nessas áreas, sobretudo quando envolve um aspecto publicamente controverso como a nudez. O que se vê é o total desmazelo dos órgãos publico em relação à segurança e fiscalização dessas situações criminais comumente praticadas. Desconhecem que apenas pratica de cunho sexual em público é crime previsto como “ato obsceno” e não a prática da nudez como falsamente querem fazer crer as autoridades judiciárias. O policiamento constante e ostensivo nessas áreas é de absoluta obrigatoriedade para preservação do próprio turismo dos estados onde inseridas, de vez que são elas que garantem o grande chamariz do turismo internacional, com retorno garantido. Assim, caso não seja viável a constituição de um policiamento público treinado e adaptado propriamente para essas áreas, há a necessidade de atribuir às associações que atuam na sua jurisdição mecanismos de arrecadação de recursos para contratação de mão de obra particular para policiamento desses locais. Autorizar a exploração de estacionamento, comércios ou cobrança de acesso, são meios que proporcionam essa possibilidade.

Complementando a orfandade do naturismo, observa-se a total omissão das suas principais associações com a situação de naturistas coagidos pela justiça com objetivos escusos de desmoralização do naturismo. Naturistas de mais de 30 anos de militância, e que criaram seus filhos dentro da filosofia, possuem centenas de fotos das suas férias e momentos felizes de sua família dentro da prática naturista. Essas fotos quando caem na mão de agentes da justiça, eles procuram perverter o sentido do naturismo ou das áreas onde se adota a sua prática, tentando fazer deles criminosos, em uma tática de profundo preconceito e desrespeito com todos os adeptos dessa filosofia, na medida em que utilizam a mídia para amarrotar a imagem da prática. Não se exige que as associações ajam em defesa dos naturistas nestas condições, que, com certeza, possuem condições de justificação de suas atitudes, mas pede-se que elas acompanhem os processos para reverter junto à opinião pública o absurdo que estão praticando, com objetivo exclusivo de proteção ao naturismo. Os poucos naturistas que conseguem enxergar a artimanha da dobradinha justiça/mídia, e levantam a voz em favor dos atacados, não são suficientes para desmascarar a propaganda negativa que essa estratégia maldosa provoca nas hostes naturistas.

Finalizando, deve-se informar que a Associação Nacional de Defesa do Naturismo - ANDENU é uma entidade que vai lutar constantemente para a manutenção desses pensamentos aqui exarados, com o objetivo de SALVAR o NATURISMO da mão de oportunistas e não vai medir esforços para tentar popularizá-lo como um modo de vida que pode salvar a humanidade. Nem que para isso tenha de desqualificar todas as entidades e pessoas que não agem de acordo com a sua proposta junto aos órgãos que detém o uso do nome da filosofia, como a Federação Internacional de Naturismo - INF, visando torna-la um exemplo de prática perfeitamente adequada ao bem do ser humano.

ANDENU
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA DO NATURISMO

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